É Segunda-Feira, depois da rotina na faculdade eu retorno pra casa, preparo meu almoço e enquanto me alimento eu ouço mensagens no whatsapp chegar. Termino de almoçar e vou checar as mensagens.
_Pastor, a Bruna e o Gustavo querem saber se o senhor pode visitá-los na UTI do hospital onde o filho deles está internado.
Era a mensagem de uma querida irmã da igreja preocupada com a situação de um jovem casal que está com seu filho recém nascido na UTI devido complicações no coração.
_Sim. Me diga em qual hospital e que horas é o horário de visita. Perguntei.
_É as 20:00 horas. Nós passaremos em sua casa e iremos juntos até o hospital. Disse ela encerrando a breve diálogo via Whatsapp.
A noite chegou, encontrei-me com o jovem casal. Ela ainda andava vagarosamente devido os pontos do parto cesariano, tinha o rosto de menina e estava com o olhar cansado devido toda situação. O pai, também um jovem de 22 anos, estava bem falante, tentava me explicar a situação do filhinho deles e de como toda a crise começou. No meio da conversa eles me fazem um simples pedido: _ Pastor, o senhor pode entrar na UTI e fazer uma oração pelo nosso filho?
Meu coração se encheu de empatia por aquele pai. Afinal de contas, embora eu nunca tenha sido pai biológico, eu sei o que é ter um filho doente a beira da morte, sei o que é estar em uma situação onde a única coisa que nos cabe fazer é orar.
_Sim, orarei por ele sim, mas peço apenas que a mãe dele esteja comigo lá na sala da UTI.
Eles concordaram e subimos pelo Elevador do Hospital. Ao chegarmos lá na UTI, depois de passarmos pelo processo simples de esterilização, encontrei o pequeno Yago todo entubado. Tão pequenino, tão frágil e tão guerreiro lutando pela vida. Naquele momento meu coração tremeu. Não podia ter sido diferente.
Não falei muito, há momentos em que as palavras só atrapalham. Mas oramos com gratidão a Deus e confiança de que Ele tem a vida e é o autor da vida.
Voltei pra casa já bem tarde da noite.
A Terça-feira amanhece e como de costume, eu me organizo pra ir pra faculdade. Mas nas Terças eu tenho um dia muito cheio. É o dia em que depois da aula eu enfrento quase duas horas viagem de trem e ônibus junto com o meu inseparável violão e da minha inspiradora irmã em Cristo Laíde Vemdramini, uma senhora de 74 anos cheia de energia, cheia de amor e do Evangelho. O nosso destino é um ambiente onde poucos querem ir; um PRESÍDIO! Ali nós fazemos dos muros, grades e arames farpados daquela penitenciaria uma IGREJA. Sim, há um grupo de pessoas encarceradas, presas e condenadas pelos mais diversos motivos, que sempre atendem ao convite de juntos fazermos um culto a Deus e aprendermos sobre o Evangelho.
Nessa Terça-Feira o clima estava tenso, pois na semana anterior houve uma rebelião onde os presidiários incendiaram todo o complexo penitenciário masculino. Os funcionários estavam tensos, as detentas estavam agitadas e o clima pesado envolvia cada canto daquele lugar. Então de repente uma briga surge entre as detentas. A irmã Laíde e eu estávamos sozinhos reunidos com as detentas que sempre se reúnem conosco. As detentas começaram a gritar e a correr em direção das duas outras que se feriam e se esmurravam. Houve um princípio de briga generalizada, eu puxei a irmã Laíde pra perto de mim afim de protegê-la. Alguns longos segundos se passaram quando os guardas chegaram abafando a confusão e levando as envolvidas para um lugar em separado.
Passado o ocorrido e com os ânimos mais calmos, eu pedi a todas as detentas, cerca de 60 mulheres, que fizessem silêncio e dessem atenção para o que eu iria falar. Então eu comecei a pregar. Falei sobre o paralitico que foi levado pelos seus amigos em uma maca até Jesus. A Bíblia diz:
"Alguns homens trouxeram-lhe um paralítico, deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: "Tenha bom ânimo, filho; os seus pecados estão perdoados".
Diante disso, alguns mestres da lei disseram a si mesmos: "Este homem está blasfemando! "
Conhecendo Jesus seus pensamentos, disse-lhes: "Por que vocês pensam maldosamente em seus corações?
Que é mais fácil dizer: ‘Os seus pecados estão perdoados’, ou: ‘Levante-se e ande’?
Mas, para que vocês saibam que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados" — disse ao paralítico: "Levante-se, pegue a sua maca e vá para casa".
Ele se levantou e foi.
Vendo isso, a multidão ficou cheia de temor e glorificou a Deus, que dera tal autoridade aos homens.
Mateus 9:2-8"
Depois de ler esse texto do Evangelho, todas ficaram atentas, como quem queria saber o que eu iria falar. Foi quando eu comecei: _Essa história tem muito a nos ensinar hoje. Esse paralítico é exemplo que pode mudar a vida de qualquer pessoa que ouvir e entender essa mensagem! Esse paralítico, a semelhança de vocês, estava preso!Ele estava aprisionado a um leito, a uma maca. Ele não podia sair, andar, não podia ser livre. Vocês estão aprisionadas também. Não podem sair, não podem viver além dos limites desses muros. Mas aquele paralítico tinha pessoas que se importavam com ele. Ele tinha amigos que queriam vê-lo sarado, curado e livre! E vocês queridas detentas? Onde estão os amigos e amigas de farra? Os parceiros e parceiras de crime? Talvez vocês pensem que todos lhes abandonaram, que ninguém vem visitar vocês. Vocês estão com esses pensamentos porque os amigos que vocês tem em mente, não eram de fato verdadeiros amigos. Mas eu quero lhes dizer algo! A irmã Laíde e eu andamos todas as Terças-feiras quase duas horas de trem e ônibus, nós dois andamos três quilômetros a pé até chegar aqui. Vocês sabem porquê nós fazemos isso? É porque nós nos importamos com vocês, é porque nós somos os amigos que estão dispostos a levar vocês até aos pés de Cristo. Pois cremos que somente o amor de Jesus pode libertar vocês das algemas, cadeias e da paralisia causada pelo pecado.
Há outra coisa importante que vocês precisam entender. Aquele paralítico queria ser curado, mas ele ganhou algo muito mais importante que a cura. Ele recebeu o perdão dos pecados! E é isso que eu quero dizer pra vocês. Vocês querem ser livres, mas Cristo pode dar muito mais do que apenas a liberdade. Ele pode dar o perdão! A paz! A vida!
Eu ainda falava quando duas detentas estavam visivelmente tocadas, as lágrimas rolavam pelos seus rostos! Uma delas se aproximou e com a voz tremula disse: _Pastor, eu aguardo todo dia para que a Terça-feira chegue logo, para ouvir a mensagem do Evangelho. Eu sou grata a Deus pela vida de vocês. Como é bom ver que Deus não desiste de nós, como a gente se sente amada e cheia de paz ao ouvir que Deus nos perdoa. Obrigado por vir aqui, pastor. Obrigado irmã Laíde por enfrentarem todos esses desafios para trazer essas palavras pra gente.
Nós oramos e nos despedimos delas todas e o clima ficou muito mais leve, sentimos e deixamos a paz plantada na alma de cada uma daquelas detentas.
Deixamos aquele presídio e nos encaminhamos para o nosso retorno. Irmã Laíde e eu pegamos o ônibus e depois o trem. Nos separamos no terminal Pirituba, pois eu ainda teria mais trabalho pastoral. Eu haveria de ir para um bairro que fica na periferia de São Paulo, onde o PCC domina e em cada esquina se encontra uma "biqueira" com jovens rostos a vender entorpecentes.
Ao chegar, uma senhora, avó de um adolescente, preocupada me pede para conversar com o seu neto que está se afastando da igreja e começando a andar com os meninos do tráfico.
Depois de visitar alguns irmãos e realizarmos um culto na casa de um irmão da igreja, eu volto de carona para o ponto de ônibus. Na companhia de um casal idoso que estão enfrentando um dilema. Eles receberam a poucas semanas a notícia que o marido estava com câncer. Depois que receberam a notícia, eles começaram a frequentar mais ativamente a reunião de oração. No caminho até o terminal de Ônibus, nós oramos e assim tentei fortalecê-los na esperança e na fé em Deus.
O dia estava terminando, cheguei em casa quase meia noite. Cansado, eu apenas tomei um banho e adormeci.
Tudo o que foi e tem sido feito, é feito sem cobrar taxas, dinheiro ou pedágio. Tudo por amor voluntário e pelo desejo de cumprir o chamado o qual Cristo um dia me fez; "Pastoreia as minhas ovelhas".
Então você, que ainda está lendo se pergunta: "Por que ele está relatando tudo isso?" E o quê isso tudo tem a ver com o tema " ANTES DE SAIR DIZENDO QUE TODO PASTOR É LADRÃO, MERCENÁRIO ETC?"
Há outra coisa importante que vocês precisam entender. Aquele paralítico queria ser curado, mas ele ganhou algo muito mais importante que a cura. Ele recebeu o perdão dos pecados! E é isso que eu quero dizer pra vocês. Vocês querem ser livres, mas Cristo pode dar muito mais do que apenas a liberdade. Ele pode dar o perdão! A paz! A vida!
Eu ainda falava quando duas detentas estavam visivelmente tocadas, as lágrimas rolavam pelos seus rostos! Uma delas se aproximou e com a voz tremula disse: _Pastor, eu aguardo todo dia para que a Terça-feira chegue logo, para ouvir a mensagem do Evangelho. Eu sou grata a Deus pela vida de vocês. Como é bom ver que Deus não desiste de nós, como a gente se sente amada e cheia de paz ao ouvir que Deus nos perdoa. Obrigado por vir aqui, pastor. Obrigado irmã Laíde por enfrentarem todos esses desafios para trazer essas palavras pra gente.
Nós oramos e nos despedimos delas todas e o clima ficou muito mais leve, sentimos e deixamos a paz plantada na alma de cada uma daquelas detentas.
Deixamos aquele presídio e nos encaminhamos para o nosso retorno. Irmã Laíde e eu pegamos o ônibus e depois o trem. Nos separamos no terminal Pirituba, pois eu ainda teria mais trabalho pastoral. Eu haveria de ir para um bairro que fica na periferia de São Paulo, onde o PCC domina e em cada esquina se encontra uma "biqueira" com jovens rostos a vender entorpecentes.
Ao chegar, uma senhora, avó de um adolescente, preocupada me pede para conversar com o seu neto que está se afastando da igreja e começando a andar com os meninos do tráfico.
Depois de visitar alguns irmãos e realizarmos um culto na casa de um irmão da igreja, eu volto de carona para o ponto de ônibus. Na companhia de um casal idoso que estão enfrentando um dilema. Eles receberam a poucas semanas a notícia que o marido estava com câncer. Depois que receberam a notícia, eles começaram a frequentar mais ativamente a reunião de oração. No caminho até o terminal de Ônibus, nós oramos e assim tentei fortalecê-los na esperança e na fé em Deus.
O dia estava terminando, cheguei em casa quase meia noite. Cansado, eu apenas tomei um banho e adormeci.
Tudo o que foi e tem sido feito, é feito sem cobrar taxas, dinheiro ou pedágio. Tudo por amor voluntário e pelo desejo de cumprir o chamado o qual Cristo um dia me fez; "Pastoreia as minhas ovelhas".
Então você, que ainda está lendo se pergunta: "Por que ele está relatando tudo isso?" E o quê isso tudo tem a ver com o tema " ANTES DE SAIR DIZENDO QUE TODO PASTOR É LADRÃO, MERCENÁRIO ETC?"
A razão pela qual lhes escrevo, é para que você entenda que a maioria dos pastores aos quais eu conheço são pastores que lidam dia a dia com as mais diversas questões humanas e fazem essas coisas por amor e obediência ao chamado pastoral. São pastores que doam seu tempo e suas energias para cuidar de gente.
É pra dizer que é injusto relacioná-los e colocá-los no mesmo saco podre dos mercenários televisivos e gananciosos que claramente distorcem a mensagem do evangelho.
O motivo é para que você saiba que há gente ruim em todo ambiente, que fiquem cientes que há pastores que não se importam com gente, que há pastores que enxergam gente como cifrão de dinheiro ou como fonte de lucro, que há pastores que brigam, que matam e se matam para obterem os "maiores" ministério, as "maiores" igrejas, que há pastores que se associam como mafiosos em busca dos palanques mais visíveis, em busca das palestras e púlpitos que lhes deem maiores visibilidades e rendas.
Eu lhes escrevo tudo isso, para que vocês saibam diferenciar pastores verdadeiros dos MERCENÁRIOS. Eu lhes escrevo tudo isso para que fiquem atentos e que jamais sejam enganados por esses tais.
Tony Rimualdo
04 de Novembro de 2016.
Lua nova
São Paulo- Sp,
Tony Rimualdo
04 de Novembro de 2016.
Lua nova
São Paulo- Sp,

Um comentário:
Maravilhoso. Que Deus possa lhe usar cada vez mais.
Pr R Nagy
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