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domingo, 9 de abril de 2017

A GRATIDÃO E EXPRESSÃO DE AMOR EM UMA SELFIE




Ação no Hospital Psiquiátrico de Custódia feminino de SP.
Eu aprendi que pequenas boas ações mudam o mundo dentro de nós e ao nosso redor.
Também aprendi que tirar uma selfie ao ajudar uma idosa atravessar a rua pode parecer demagogia, mas se houver centenas de idosas precisando atravessar a rua, então vale a pena tirar uma foto, postar nas redes sociais e mobilizar o máximo possível de pessoas para ajudar. Isso é louvável e totalmente válido.
Nessa manhã, nós fomos as mãos, os pés, os corações e a boa vontade de muita gente que anonimamente se doou e doaram os materiais de higiene pessoal para as pacientes do Hospital Psiquiátrico de Custódia em Franco da Rocha.
O dia amanheceu nublado como um dia típico de Outono em Sampa. Minha esposa e eu nos dirigimos para a casa da senhorinha que há mais de 18 anos visita os presídios de São Paulo levando uma mensagem de mudança de vida, esperança, paz e perdão para os encarcerados. Logo após tê-la encontrado, nós três fomos nos encontrar com a Raylla Eny Matsumori. Nosso destino? Hospital Psiquiátrico de Custódia onde são recolhidas as pessoas que têm algum problema psiquiátrico, psicológico ou transtornos mentais e que cometeram crimes contra a vida. São pessoas enfermas e que estão sendo tratadas e cuidadas pelo Estado.
Era a primeira vez em que minha esposa e a Raylla visitavam um lugar desse tipo.Eu pude notar um sentimento de ansiedade, voluntariedade e apreensão no olhar das duas novatas.
O local é em partes bem diferente de um presídio, há muito verde e é possível ouvir o cantar dos pássaros, há um rio logo na entrada da instituição e suas águas fazem um barulho agradável que destoa dos roncos e buzinas dos carros da grande metrópole, cheiro de mato, de folhas, de ar puro.
Ao entramos, tivemos nossos celulares recolhidos pelos agentes penitenciários, então fomos nos encontrar com um grupo de senhoras, alguns homens junto com um pastor da Igreja Batista Brasileira. Lá nós expusemos todo o material que foi doado através de uma mobilização que a Raylla Eny Matsumori fez junto ao grupo de Softball e seus contatos das redes sociais. Depois de termos os produtos revistados, e de repassarmos as recomendações necessárias, nos dirigimos para o encontro com as mais de 100 pacientes/reclusas que estavam recolhidas em um prédio próprio.
O procedimento de revista foi tranquilo, todos tivemos que passar pelo detector de metais, então entramos por um pequeno corredor. Ouvimos um som pesado de portão de metal se fechar nas nossas costas, pude sentir um pouco da apreensão das duas meninas, me aproximei e tentei tranquilizá-las pedindo que agissem com naturalidade no trato com as detentas/pacientes. Um outro portão de grades se abre a nossa frente e um por um entramos em direção a um grande pátio coberto. Lá nós começamos instalar o aparelho de som e teclado que seria usado para que algumas canções fossem tocadas acompanhadas pelo coral dos irmãos da Igreja Batista.
As mulheres começaram a sair de seus alojamentos e curiosas por ver e conhecer as pessoas que estavam ali a visitá-las, as cumprimentavam,
Canções foram entoadas, o pátio estava totalmente cheio, as mulheres sentavam ao chão e em algumas cadeiras que ali se encontravam. Peguei meu violão e com algumas pacientes do hospital cantamos uma canção juntos, música que diz em sua letra "Pai do céu, me perdoe embora eu não mereça, da-me forças para erguer a cabeça, eu prometo que vou acertar, mas me ajude, me guarde e me ampare, me sustente e me prepare, para quando ao teu lado eu me encontrar", ao fim da música todas estavam visivelmente emocionadas. Elas então me pedem para tocar e cantar a música conhecida "Entra na minha casa, entra na minha vida, mexe com minha estrutura, sara todas as feridas," Fizemos um lindo coral, todas cantavam com muita emoção. Enquanto eu tocava e cantava, pudia ver sentimentos, expressões e vida brotando em um ambiente que produz tristeza, dor, prisão e solidão. Pude ver no olhar daquelas duas meninas que me acompanhavam um misto de alegria, emoção, fé e esperança.
Após aquele momento de louvor, eu falei sobre Ressurreição, em alusão à ressurreição de Cristo. Disse que ressurreição é voltar a viver depois de estar morto. Falei que nós morremos todas as vezes que nos afastamos de Deus, disse que nos afastamos de Deus quando deixamos de sentir a dor do próximo, quando passamos a valorizar mais as coisas e bens materiais, quando perdemos a sensibilidade para com o próximo. Disse também que o Criador nos dá a chance de sermos ressuscitados por Ele para vivermos uma nova vida aqui na terra, uma nova vida com novas atitudes, uma nova vida com novas esperanças e uma nova vida com o perdão, a paz e a salvação que só o Criador pode conceder.
Ao fim daquela programação e demonstração de amor por aquelas pacientes/detentas/presas, nós saímos daquele presidio com o coração cheio de gratidão. Gratidão por termos tido a chance de sermos as mãos, o coração e a boa vontade de todos os que se doaram ao doarem os itens de higiene pessoal, itens esses que irão ajudar as detentas por alguns meses, mas que para nós foi apenas uma forma de levarmos um pouco da mensagem de amor, perdão, paz e salvação.
Obrigado a todos e a todas que contribuíram e se doaram. Que Deus lhes abençoe.
Tony Rimualdo
08 de Abril de 2017
São Paulo - SP
Lua Crescente.

Um comentário:

Claudia Moura disse...
Este comentário foi removido pelo autor.